A segunda parte da Cicloviagem

 

Contaremos aqui o nosso trecho de cicloviagem desde a cidade de Pelotas no sul do Brasil até Montevidéu no Uruguai. Pode ver o nosso primeiro trecho desde a cidade de Iguapé (SP-Brasil) até Torres (RS-Brasil) clicando AQUI. Como já contamos desde Torres até Pelotas pegamos o nosso primeiro ônibus da cicloviagem.

 

Imagem: Pedalando pelas rodovias de Rio Grande do Sul - Janeiro de 2016

Pedalando pelas rodovias de Rio Grande do Sul – Janeiro de 2016

 

Adiantados esses quase 500 km. em ônibus, chegamos a Pelotas-RS onde o Ariel, companheiro do último trabalho do Lucho nos alojou. Ficamos na cidade por um dia para descansar e nos preparar para enfrentar a famosa estrada do Taim, a BR 471. Famosa por que liga o Brasil ao Uruguai e por ser uma estrada com pouco vilarejo e posto de combustível ou comércio. Mesmo assim é uma estrada com um movimento razoável e tem umas fazendas que em caso de muita emergência podem ajudar.

 

Imagem: Com o nosso amigo Ariel na cidade de Pelotas, Estado de Rio Grande do Sul (Brasil) - Janeiro de 2016

Com o nosso amigo Ariel na cidade de Pelotas, Estado de Rio Grande do Sul (Brasil) – Janeiro de 2016

 

Saída desde Pelotas

 

Imagem: Acampando ao lado de um posto de gasolina em Taim, Estado de Rio Grande do Sul - Janeiro de 2016

Acampando ao lado de um posto de gasolina em Taim, Estado de Rio Grande do Sul – Janeiro de 2016

 

Logo após a saída da cidade pegamos a BR-471 em direção sul com um vento em contra que nos fez esforçar um pouco a mais. Não sabemos se foi o vento ou o que más alguns quilômetros depois de sair o Caio (Zé) caiu da bicicleta. Se bem não teve ferimento algum, uma alforje quebrou e conseguimos consertar na hora. Neste dia avançamos aproximadamente 100 km e conseguimos chagar em Taim. Lá dormimos atrás de um posto de combustível e descobrimos que muitos cicloviajeiros já tinham passado por alí.

 

Passando pela Estacão Ecológica do Taim

 

No segundo dia da cicloviagem levantamos cedo e continuamos, passando pela Estação Ecológica do Taim onde conseguimos ver muitas capivaras e um crocodilo. Logo após a reserva, um caminhão quase atropela o Caio e alguns quilômetros depois disso ele caiu novamente da bicicleta. Aconteceu que o nervosismo demorou para passar e a rodovia tinha alguns defeitos que dificultavam a pedalada. Sobre o caminhão acreditamos que o motorista dormiu no volante por alguns segundos, pois não tinha outros carros por perto. Era só a gente e ele em uma reta sem ter nada para ele desviar, ele simplesmente veio na contramão ao nosso encontro em alta velocidade. Afortunadamente conseguimos desviar a tempo.

 

Imagem: Capivaras na Estação Ecológica de Taim - Janeiro de 2016

Capivaras na Estação Ecológica de Taim – Janeiro de 2016

 

Passado o susto do Caio ele levantou e decidimos seguir enquanto o corpo estava quente. Já faltava uma hora para escurecer e então decidimos buscar um lugar para passar a noite. Em uma empresa na vera da estrada um senhor orientou a gente para ir em uma fazenda vizinha onde as vezes ficavam viajantes. Após conversar com o dono e contar da nossa viagem ele deixou a gente passar a noite lá. Colocamos a nossa barraca dentro de um galpão onde ficam as celas de cavalos, o trator e as rações das vacas. No total neste dia pedalamos uns 118 km desde Taim até a fazenda de arroz.

 

 

Último trecho da cicloviagem no Brasil / Chegada no Uruguai

 

No terceiro dia de viagem passamos por Santa Vitória do Palmar e após pedalar uns 70 km finalmente chegamos a Chuí. Uns 20 km antes de chegar, na beira da rodovia começa um surpreendente campo de energia eólica que vai até a divisa com Uruguai, nunca tínhamos visto algo parecido.

Algumas coisas que nos assombraram de Chuí:

  1. as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguay) terem praticamente o mesmo nome, só muda a letra “y” e a pronúncia).
  2. As cidades ficam no meio das duas alfandegas, coisa que nunca antes tínhamos visto.

Neste dia fomos para Barra del Chuy que fica 10 km de Chuy (Uruguay) e ficamos 2 dias em um Camping  muito lindo perto da praia.

 

Imagem: Praias de Punta del Diablo (Uruguai) - Janeiro de 2016

Praias de Punta del Diablo (Uruguai) – Janeiro de 2016

Da Barra del Chuy pedalamos pela rodovia 9 até Punta del Diablo que dá uns 45 km aproximadamente. Alguns trechos da rodovia tem acostamento bom, outros nem tanto. Sendo assim a gente preferiu pedalar pela rodovia e quando vinha um caminhão ou muitos carros a gente desviava pelo acostamento.

 

 

Parque Nacional Santa Teresa

 

Em Punta del Diablo dormimos pela primeira vez em casa de um cara que contatamos pelo aplicativo Warmshowers, o Fernando, que nos recebeu era muito gente boa. Ficamos duas noites por lá e conhecemos as praias do vilarejo, além do Parque Nacional de Santa Tereza que fica bem perto e é um lugar muito lindo, recomendamos muito passar por lá.

 

Imagem: Portal do Parque Nacional de Santa Teresa (Uruguai) - Janeiro de 2016

Portal do Parque Nacional de Santa Teresa (Uruguai) – Janeiro de 2016

 

Imagem: Pedalando por Punta del Diablo (Uruguai) - Janeiro de 2016

Pedalando por Punta del Diablo (Uruguai) – Janeiro de 2016

 

De Punta del Diablo a Valizas e Cabo Polonio

 

Saindo de Punta del Diablo pegamos a rodovia 9 até Castillos. Depois pegamos a rodovia 16 até Águas Dulzes e finalmente pegamos rodovia 10 até Valizas. No total foram uns 60 km pedalados neste dia, a rodovia foi tranquila e tinha alguns trechos sem acostamento.

Sendo janeiro achamos que os campings de Valizas eram no geral muito caros, pois cobravam ao redor de 100 reais por pessoa por noite (100 reais mesmo, não tem erro de digitação hehe). Então achamos um senhorzinho que no patio da casa deixava colocar barracas por bem menos e tinha adaptado um banheiro para ser utilizado pelos hospedes.

Desde Valizas fomos caminhando até Cabo Polônio pelas dunas de areia beirando o mar. Fizemos o trajeto de 12 quilômetros em quase uma hora e foi uma experiência muito legal. Achamos uma vibe muito boa em Valizas!

 

 

Imagem: Observando o vilarejo desde o faro de Cabo Polonio (Uruguai) - Janeiro de 2016

Observando o vilarejo desde o faro de Cabo Polonio (Uruguai) – Janeiro de 2016

 

De Valizas a La Aguada

 

Desde Valizas pedalamos 55 km em direção ao sul pela rodovia 10 até La Aguada. A rodovia como em quase todo Uruguai foi bem tranquila. Nesse vilarejo ficamos no Camping La Aguada, administrado por um sindicato que umas meninas tinham nos indicado, o Camping é muito bom e cobra barato. La Aguada fica do lado da praia de La Paloma, pelo que no dia seguinte conseguimos visitar também essa praia.

 

 

Desde La Aguada a Punta del Este

 

No dia seguinte viajamos até Punta Del Este e tivemos que escolher entre dois possíveis caminhos.

  • Uma possibilidade era se adentrar um pouco no interior do Uruguai viajando até a cidade de Rocha e depois pegar a rodovia até Punta Del Este. Isso daria ao redor de 113 km.
  • A segunda possibilidade era atravessar a Laguna de Rocha pela praia e continuar pela rodovia Nº 10 até Punta Del Este o que totaliza 80 km.

Optamos pelo segundo caminho por ser mais curto mais também porque o Caio gosta muito da aventura.

 

Imagem: Justo antes de atravesar a Laguna de Rocha (Uruguai) - Janeiro de 2016

Justo antes de atravesar a Laguna de Rocha (Uruguai) – Janeiro de 2016

 

Como foi pedalar na borda da Laguna de Rocha:

 

Desde que se sai de La Aguada começa um caminho de terra até o comecinho da lagoa (justo onde tem uma pequena vila de pescadores). A gente leu em uma nota de outro cicloviajeiro que se você paga aos pescadores eles te cruzam, não sabemos e também não perguntamos. É preciso ver se o nível do rio deixa cruzar, ouvimos que em algumas épocas do ano ele chega até o mar e fica impossível atravessar andando. Se tiver chovido muito na região não ouse arriscar.

Um morador confirmou para a gente que dava para atravessar a pé. No começo a areia é muito pesada, depois se vai pelo canto da lagoa fica um pouco mais fácil, com um pouco de paciência se cruza. O cenário é muito lindo, tem muitos caranguejos, muitas aves e até vimos outro cicloviajeiro também cruzando mais na frente.

Depois do sufoco voltamos para estrada de terra, ufa! só que não haha. O caminho tinha muita ondulação no chão, cansava e doía as costas de tanto balançar. Isso foi até chegar a ponte redonda da Laguna de Garzón que tem uma bela vista. Daí começa novamente o asfalto e vai beirando o mar com paisagem belíssima até Punta del Leste. Este trecho já tem um movimento maior de carros e tem um pequeno acostamento. Quanto mais avança em direção à Punta Del Este mais vai aumentando a movimentação de carros. Finalmente chegamos no Camping San Rafael em Punta Del Este, onde passamos a noite.

 

 

Punta del Este a Bela Vista

 

Se bem o Camping de Punta del Este tinha todas as comodidades acabou sendo um pouco caro, pelo que decidimos continuar a cicloviagem no outro dia em direção a Montevidéu. Esse dia pedalamos pelas duas praias de Punta Del Este, a Brava e a Mansa e também passamos por Punta Ballena, onde fica a casa do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró.

 

Apos pedalar o restante do dia, a noite chegou e tentamos acampar em uma estação de pedágio da rodovia Interbalnearia perto da localidade de Solis. O pessoal do pedágio não deixou e fomos em procura de um Camping na área da praia. Depois de ver o por do sol achamos um Camping na área de Bella Vista onde passamos a noite.

 

 

Imagem: Em Punta Ballena, no ao redores de Punta del Este (Uruguai) - Janeiro de 2016

Em Punta Ballena, no ao redores de Punta del Este (Uruguai) – Janeiro de 2016

 

Até Montevidéu – Fim desta Cicloviagem

 

Apos passar a noite em Bella Vista, acordamos e começamos a pedalada em direção a Montevidéu. Contactamos ao Andrés pelo aplicativo Couchsurfing e já tínhamos hospedagem garantido em Ciudad de La Costa, que fica a uns 20 quilômetros antes de chegar em Montevidéu.

Então esse dia aceleramos a pedalada para chegar. Em Montevidéu acabava por enquanto a nossa pedalada, pois lá pegamos um ônibus até a cidade de Colonia del Sacramento e de lá um Barco até Buenos Aires. Viajamos com a empresa Colonia Express que costuma ser a forma mais barata de atravessar o Rio de La Plata de barco.

 

 

 

Atenção!

 

Uns meses depois no Chile, participamos do 5to. Fórum Mundial da Bicicleta. Lá ouvimos de várias pessoas que a partir de fevereiro de 2016 não é mais permitido o trânsito de bicicletas pelas rodovias do Uruguai. Checamos a informação no Google e temos achado uma matéria que especifica um pouco mais. Aparentemente a proibição é específica para a Rodovia Interbalneária que une Montevidéu a Punta Del Este e só na temporada de verão. Recomendamos checar esta informação se for fazer uma cicloviagem pelo Uruguai.

 

Agradecimentos Especiais

 

  • Ao nosso amigo Ariel que gentilmente nos hospedou em Pelotas! Também pedimos desculpas por ter chegado tao tarde (4 hs da manha)
  • Ao posto de gasolina do Taim que nos deixou colocar a nossa barraca por uma noite no gramado verde e lindo que eles tem.
  • Para os donos e trabalhadores da fazenda de Santa Maria do Palmar, onde passamos uma noite.
  • Ao Fernando de Punta del Diablo que contatamos pelo aplicativo WarmShowers.
  • As meninas que conhecemos no camping improvisado de Valizas, que nos deram conselhos para continuar a nossa cicloviagem pelo Uruguay!
  • Para Andrés que nos hospedou em Ciudad de la Costa perto de Montevidéu e que contactamos por meio do Couchsurfing.
  • Ao Juan Ignacio e o Nico que nos receberam em Buenos Aires bem depois da chegada em barco. Devimos parar ali porque aconteceu que o nosso ônibus para Córdoba saia um dia depois do previsto :S

 

Veja o nosso percurso inteiro através do nosso mapa: