Começando a cicloviagem – Dezembro 2015

 

Este artigo é o primeiro no qual contamos os percursos que realizamos durante a nossa cicloviagem. O percurso começa no litoral sul do Estado de São Paulo e vai até a cidade de Torres (RS-Brasil), passando por Curitiba (PR) e Florianópolis (SC). Detalharemos aqui os caminhos, e no mapa ao final do artigo estarão as localizações exatas de cada lugar onde pernoitamos.

 

Imagem: Com os nossos amigos Birú e Maria Claudia em Iguape (Sao Paulo, Brasil) - Dezembro 2015

Com os nossos amigos Birú e Maria Claudia em Iguape (Sao Paulo, Brasil) – Dezembro 2015

 

Começamos a cicloviagem na cidade de Iguapé, no litoral sul do Estado de São Paulo. O Birú, amigo do Lucho, levou a gente de carro e ficamos uma noite na casa da sua namorada, a Maria Claudia.

O nosso primeiro dia de pedalada foi a quarta 23/12/2015. Atravessamos a ponte que une Iguapé com a Ilha Cumprida e tomamos um caminho asfaltado em direção ao Boqueirão Sul da Ilha. O caminho é asfaltado por alguns quilômetros, depois vira estrada de terra e assim continua por vários quilômetros mais até acabar. Uns 25 quilômetros (aprox.) antes de chegar no Boqueirão Sul o caminho de terra acaba e começa o trecho de areia. Nesse ponto todo o transito é obrigado a ir pela areia, inclusive a gente 😀 

 

 

Algumas coisas que descobrimos pedalando na areia

  • Firmeza: Mesmo passando muitos carros tem trechos que a superfície não é tão firme e precisa-se tomar muito cuidado. Especialmente se vai carregado que nem a gente.
  • Rios: Outra questão é atravessar os rios, pois tem muito arroio que atravessa a praia e acaba no mar. Falaram para a gente que a partir de uma determinada hora da tarde quando o sol começa a baixar esses rios sobem e começa a ficar impossível atravessá-los.
  • Calor: Um outro ponto foi o sol, pois acontece que era um dia de muito sol e fazia muito calor. Foi ali que a gente percebeu que os nossos manguitos iam ajudar muito.

 

 

Depois desse primeiro dia da cicloviagem chegamos finalmente no Boqueirão Sul da Ilha Comprida e procuramos um camping. Acabamos parando no camping Pousada do Bom Abrigo. Ao chegar percebemos que as correntes estavam cheias de areia e precisavam de uma limpeza para poder continuar a cicloviagem. A noite foi difícil pela quantidade de pernilongos que ficavam em pequenos encharcamentos de água ao redor da barraca. Eles conseguiam entrar pelos buraquinhos da tela anti-pernilongo da nossa barraca :S

 

O natal em Cananeia …

 

No dia seguinte era véspera de natal (24/12/2015) pelo que decidimos mudar para Cananeia. Para isso tivemos que atravessar o Mar Pequeno pegando uma balsa gratuita. Procuramos um novo camping e fomos parar no Casa Verde Hostel e Camping (lá era bem mais legal, o lugar e as pessoas). Esse dia decidimos curtir e conhecer a cidade, pois lá tem muita historia do Brasil.

 

Após uma noite de um natal sensacional continuamos a cicloviagem. Precisávamos chegar na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) pelo que tivemos que escolher entre dois caminhos. Um que era mais curto, mas era de terra (SP-193) ou um caminho mais comprido, mas que era asfaltado (BR-478). Acabamos escolhendo o asfaltado que foi bem tranquilo e com pouquíssimo trânsito.

Antes da noite chegar decidimos pernoitar na cidade de Pariquera-Açu. Ao chegar procuramos um lugar onde fazer o primeiro acampamento livre (Frio na barriga…). Achamos uma quadra de futebol e um vizinho ofereceu seu banheiro para nós tomar banho.

 

 

Pedalar pela Autopista Regis Bittencourt (BR-116)

 

Imagem: Na entrada da cidade de Cananeia no Estado de São Paulo (Brasil) - Dezembro 2015

Na entrada da cidade de Cananeia no Estado de São Paulo (Brasil) – Dezembro 2015

 

No dia seguinte pegamos a rodovia SP-222 em direção a Jacupiranga, e lá tomamos a Autopista Régis Bittencourt (BR-116) em sentido Curitiba. Temos que dizer que no geral é bem sossegado pedalar pela BR-116, exceptuando alguns trechos que não tem acostamento. O caminho no geral é muito lindo, mas com muita chuva. É bom se preparar com capas de chuva e levar alforges e mochilas impermeáveis. Em questão de conseguir água e comida também é bem tranquilo, pois tem muita lanchonete na vera da rodovia onde comprar. Inclusive tem alguns postos de combustível que oferecem água gelada de graça.

 

 

Nós fizemos o percurso desde Pariquera-Açu até Curitiba em 4 dias de pedalada. Paramos para dormir em 3 lugares:

  1. Primeiro foi um restaurante abandonado no início da subida da serra,
  2. Segundo um posto de pedágio,
  3. Terceiro um parador de caminhões já mais perto de Curitiba.

Um ponto positivo para a BR-116 é que todas as estações de pedágio tem banheiros limpos e bem cuidados com ducha quente. Também oferecem cafezinho e água gelada de graça, vale a pena sempre dar uma paradinha para esticar a perna e também curtir o cafezinho.

 

Imagem: A nossa primeira travessia de fronteiras, entre os estado de São Paulo e Paraná - Dezembro de 2015

A nossa primeira travessia de fronteiras, entre os estado de São Paulo e Paraná – Dezembro de 2015

 

Passando por Curitiba

 

Sobre entrar e sair de Curitiba podemos dizer que no geral foi tranquilo. Ingressamos pela BR-116 e saímos pela BR-376 que mais tarde virá BR-101. Como toda cidade grande é bom se informar sobre possíveis perigos nos acessos. Lá ficamos 5 dias em casa de uns amigos de um cara que tínhamos conhecido em Cananéia: o Maikon, a Cacau e a Ju.

 

Imagem: Curtindo da bela cidade de Curitiba, na frente do Museu Oscar Niemeyer - Dezembro de 2015

Curtindo da bela cidade de Curitiba, na frente do Museu Oscar Niemeyer – Dezembro de 2015

 

A BR-376 e a BR-101 conformam a Autopista Litoral Sul, que também é concessionada pela Arteris (Mesma concessionária da Autopista Regis Bittencourt BR-116). O esquema dos pedágios e dos acostamento é todo muito parecido à BR-116: acostamento tem na maior parte (só alguns trechos que não têm) e os pedágios tem banheiros com ducha quente e café de graça.

 

 

Nossa cicloviagem pelo Estado de Santa Catarina

 

Ao sair de Curitiba pretendíamos chegar nesse mesmo dia em Joinville, mas a neblina que tinha no alto da serra nos fez repensar a pedalada, pois no início da descida a neblina bate muito na serra e se faz por momentos muito escuro, pelo que a umas 5 horas da tarde, quando começaríamos a descer, decidimos passar a noite acampando na serra e continuar ao outro dia. No dia seguinte fizemos a descida, foi muito rápido e lindo, e umas horas depois chegamos em Joinville.

Saliendo de Curitiba queríamos llegar ese mismo día a Joinville, pero la niebla que hay en lo alto de las sierras nos hizo repensar el ritmo. Ocurre que al principio de la bajada de las sierras la niebla golpea mucho sobre las colinas y se hace por momentos muy oscuro. Así fue como más o menos a las 5:00 de la tarde, cuando empezamos a bajar, decidimos pasar la noche en carpa en lo alto de la Sierra y postergar la bajada. Al día siguiente hicimos un descenso rápido y unas horas más tarde llegamos a Joinville. Las vistas de la bajada de la sierra son realmente impresionantes.

 

Imagem: Descendo as montanhas entre os estados do Paraná e Santa Catarina na Rodovia Prestes Maia - Janeiro de 2016

Descendo as montanhas entre os estados do Paraná e Santa Catarina na Rodovia Prestes Maia – Janeiro de 2016

 

Apos uma noite em Joinville continuamos a cicloviagem em direção ao sul pela BR-101. Na altura da cidade de Piçarras saímos da BR-101 e começamos a pedalar beirando o mar. Foi assim que atravessamos as cidades de Penha, Navegantes e Itajaí até chegar no famoso Balneário Camboriú. Para atravessar o Rio Itajaí-Açu é preciso tomar uma balsa que cobra uns 3 reais por pessoa e dura uns 15 minutos.

 

 

Entre Camboriú e Florianópolis

 

Após passar uma noite no Balneário Camboriú, pretendíamos chegar antes do anoitecer em Florianópolis pela BR-101. No geral o caminho é todo tranquilo, tem muita subida e descida mas quase sempre com acostamento pelo que com paciência da para avançar de boa. Ao cair da tarde percebemos que dava tempo sim de entrar na cidade e aceleramos a pedalada. Tivemos a sorte de entrar pela cidade de São José, e depois de pegar a ciclovia que beira o mar na Av. Claudio Barbosa. Lá encontramos uns ciclistas que ajudaram a gente a atravessar a ponte para chegar na ilha e nos orientaram sobre o caminho a seguir.

 

 

 

Ficamos uns 5 dias na lindíssima ilha de Florianópolis, onde conseguimos fazer uma check-up das bikes, curtir bastante as praias, e repor energias, claro!

Na terça 12 de Janeiro continuamos nossa cicloviagem em direção ao sul e pretendíamos chegar na praia de Gamboa a uns 75 km. de distancia. Saímos de Florianópolis pela Av. Presidente Keneddy e acessamos a BR-101 pela Rua Luiz Fagundes. A saída foi bem demorada pois o trânsito é um pouco caótico nessa parte da cidade.

 

O famoso Morro dos Cavalos, em Santa Catarina

 

Ao chegar ao Morro Dos Cavalos já era umas 18 hs. e vimos que nessa parte a rodovia não tem acostamento e só tem duas pistas de cada lado. Para quem conhece a BR-101 sabe que fica um pouco perigoso esse trecho especialmente pela quantidade e velocidade de caminhões. Foi por isso que decidimos voltar e acampar no povoado mais próximo, que acabou sendo Enseada do Brito. Lá achamos uma Bahia de pescadores que deixaram a gente acampar.

 

 

Imagem: Acampando em um club de pescadores em Enseada do Brito, Estado de Santa Catarina (Brasil) - Janeiro de 2016

Acampando em um club de pescadores em Enseada do Brito, Estado de Santa Catarina (Brasil) – Janeiro de 2016

 

No dia seguinte acordamos cedo e conseguimos atravessar a pé o Morro dos Cavalos. Foi um tanto perigoso mas no final conseguimos. Logo após atravessar o morro um pneu furou e tivemos que parar e consertar. O restante do dia foi bem difícil, pois o pneu furava toda hora e não achávamos nenhuma peça estranha. Acabamos caminhando com o pneu furado por boa parte do caminho.

Ao chegar em casa dos nossos amigos na praia da Gamboa descobrimos que ao passar por uma parte da rodovia que estava em reparação uma parte do pneu tinha se corroído e um vidro tinha entrado justo nessa parte. Quando a gente tirava o ar da câmara e tentava achar o causante do furo não achava. Quando enchia de ar a pressão fazia a câmara tocar no vidro, e furava de novo. Depois disso nunca mais pedalamos sobre de uma rodovia em construção 😀

 

Imagem: Almoçando com os nossos amigos na bela praia da Gamboa, no Estado de Santa Catarina (Brasil) - Janeiro de 2016

Almoçando com os nossos amigos na bela praia da Gamboa, no Estado de Santa Catarina (Brasil) – Janeiro de 2016

 

De Gamboa (Garopaba-SC) a Laguna

 

Após curtir o encontro com nossos amigos e a praia da Gamboa continuamos a nossa cicloviagem em direção ao sul. Ao chegar em Laguna tivemos que decidir entre dois caminhos: continuar pela BR-101 passando por Tubarão ou atravessar Laguna. Claro que escolhemos ir beirando o mar e passamos a noite em Farol de Santa Marta.

Super recomendamos esse trecho já que a pedalada é bem tranquila e as vistas muito belas. Logo após atravessar a Lagoa do Imaruí começa uma ciclovia linda. Em um ponto a ciclovia acaba e pegamos a rodovia SC-100 até o ingresso do Farol de Santa Marta. Adoramos esse lugar, é lindo demais!

 

 

Imagem: Vista de Farol Santa Marta (Santa Catarina - Brasil)

Vista de Farol Santa Marta (Santa Catarina – Brasil)

 

No dia seguinte pegamos a BR-101 em direção ao sul passando por Jaguaruna e depois fomos até Araranguá. Lá pegamos a rodovia SC-447 até o Balneário Arroio do Silva. No caminho encontramos um argentino que também viajava de bicicleta desde o Rio de Janeiro, o Alejandro. Pedalamos quase todo o dia com ele e acabamos ficando no mesmo camping.

 

 

Chegando a Torres

 

Ao acordar no dia seguinte decidimos chegar em Torres pedalando novamente pela areia. Foi difícil porque se bem o trecho não é muito cumprido (51 km), a areia estava muito mole e ficava bem pesado pedalar. Se tivéssemos que voltar com certeza escolheríamos voltar para a rodovia BR-101 e chegar em Torres por ali.

 

Uma vez tendo chegado em Torres achamos um camping bem simples. Também decidimos pegar o primeiro ônibus da cicloviagem para conseguir avançar até Pelotas (RS). Tínhamos data marcada para atravessar o Rio De La Plata de barco e preferíamos reservar tempo para curtir o Uruguai. Em Pelotas, o Ariel, amigo do Lucho hospedou a gente!

 

Percurso inteiro da nossa cicloviagem traçado em um mapa. 

 
(Clicando em cada ponto poderá ver detalhes e fotos dos lugares exatos onde paramos)

 

 

Imagem: Em Torres (RS) durante a nossa cicloviagem pelo Brasil e Uruguai - Dezembro 2015

Em Torres (RS) durante a nossa cicloviagem pelo Brasil e Uruguai – Dezembro 2015

 

Agradecimentos especiais

Nesta primeira parte da cicloviagem temos tido a colaboração de muitas pessoas de diferentes maneiras:

  1. A nossa amiga Iria, uma cicloviajante espanhola apaixonada pelas terras Sul-Americanas. Muito obrigado Iria, teus conselhos e teus mapas nos serviram especialmente nesta parte da cicloviagem! 😀 Quem tenha interes pode acompanhar as suas viagens no próprio web-site: Una Vida Nómada.
  2. Agradecer aos nossos amigos Biru y Maria Claudia que gentilmente nos levaram até a cidade de Iguapé, desde onde partimos. Muito obrigado meninos! Sua ajuda foi o passo inicial que precisávamos para começar.
  3. Aos pais da Maria Claudia que gentilmente nos receberam na sua casa e nos alimentaram enquanto ficamos ali.
  4. Ao vizinho que nos abriu as portas da sua casa para nos oferecer uma ducha fresca que precisávamos muito.
  5. As autoridades dos pedágios da Rodovia Regis Bittencourt – Arteris, que nos prestaram espácios para acampar.
  6. A Maikon, Cacau e Ju que nos hospedaram alguns dias em Curitiba, onde também passamos a virada do ano 2015/2016.
  7. Ao pai e aos irmãos do Caio que nos convidaram um riquíssimo Sushi no restaurante Tatibana de Curitiba.
  8. A Andressa e Bruna que nos hospedaram em Joinville. Adoramos compartilhar umas horas com vocês, sua familia e amigos, que se repita!
  9. Ao Marck que nos hospedou em Florianópolis, ficamos assombrados com a sua historia. Um dia terá seu próprio livro e vocês poderão conhece-la 😀
  10. Ao Club de Pescadores de Enseada do Brito em Palhoca (SC) por ter cedido um lugar para nos acampar.
  11. A Aninha, Aline e Armandinho, nossos amigos de Gamboa com quem compartilhamos belos momentos!
  12. Para Alejandro Vaca com quem compartilhamos uns bons quilômetros de estrada ao sul de Santa Catarina e com quem depois continuamos em contato.
  13. A todos eles, MUITO OBRIGADO! 😀

image sources

  • Inicio da cicloviagem pelo Sul do Brasil e Litoral do Uruguai: admin